Tuesday, June 10, 2008

Sepultamento de ferro retorcido

Felipe durante

“Bom, poderia ser pior. Vou chegar alguns dez minutos atrasado, eles vão me espera com certeza, já que sou eu que começo o trabalho”.

Realmente o ônibus dava algumas voltas a mais, entrava em algumas ruas e passava por algumas praças que Felipe nunca havia visto. O ônibus estava encomodávelmente cheio, e ele foi obrigado a sentar ao lado de alguém, de um homem vestido formalmente, escutando música. Felipe nunca gostou de chegar muito perto das pessoas, achava essa proximidade um pouco assustadoura, e sentia vergonha de estar dentro de um ônibus com tantas pessoas. Seu ônibus sempre havia espaço para distâncias. Além das voltas dentro da cidade, aquele ônibus ficava encarregado de pegar um trecho da estrada estadual, onde só havia grandes árvores fechadas ao redor, e algumas industrias distribuidas na beira da estrada.

“Acho melhor eu ler denovo a minha parte, já que estou sem fazer nada”. Quando pegou o polígrafo, Felipe só teve tempo de escutar um grande barulho, um barulho de freios. A barra do assento a sua frente veio de encontro a sua testa, ou foi sua testa que procurou a barra.

Thursday, June 05, 2008

Sepultamento de ferro retorcido.

Sophia antes

Fazia tempo que o frio não era tão rigoroso, e por isso, fazia tempo que Sophia não tomava uma grande caneca de café com leite quente quando acordava. O banho quente não era quente o bastante, mas à acordava de verdade, já que, por mais que tentasse, acordar disposta as quinze pras seis da manhã era difícil. Seus livros no quarto estavam desarrumados, como de costume, “Diabos! Eu tenho certeza que deixei ele aqui, exatamente aqui!”, o livro que ela procurava estava, e ela só iria descobrir quinze minutos depois, dentro de sua mochila.

Ela saia de casa e caminhava algumas quadras. Suas costas doíam à dias, e o remédio para dôr muscular parecia não estar fazendo mais tanto efeito. Uma casa que sempre lhe chamou à atenção era, com toda certeza, a primeira da sua rua. Uma típica casa que nunca se vê aberta, com janelas escancaradas, mas se sabia que moravam pessoas, já que diversas vezes Sophia via um homem robusto cortar a pequena faixa de gramado que havia entre os trilhos para o carro entrar. Outra coisa que sempre chamou sua atenção era a maneira como as pessoas conviviam umas com as outras, como elas se deparavam com certas situações, com surpresas. Ainda não sabia o quanto iria aprender sobre “situações” naquele dia, mas caminhava vagarosamente em frente a primeira casa de sua rua, onde, para seu espanto, tinha as janelas abertas, revelando uma sala e um quarto, ambos pintados de amarelo, em tons diferentes, e com paredes repletas de fotografias antigas, “Uau! Ela é mais linda do que pensei”.

Aos 18

Aos 18 você percebe que tem um futuro,
E que você precisa decidir o que fazer dele;
Aos 18 você aprende o que é melancolia,
E sente saudades da infância,
De um tempo passado,
Morto;
Aos 18 você começa a se dar o luxo de sofrer,
Começa a perceber o que significa amor,
Ódio,
Esperança;
Aos 18, se você for como eu,
Você escreve poemas para dizer o que sente,
E chora quando escreve sentimentos;
Aos 18 você começa a perceber o clima,
As estações;
Aos 18 você não sabe o que quer,
Mas supõe que sabe de tudo;
Algumas pessoas nascem aos 18,
Outras morrem ...

Friday, May 23, 2008

Sepultamento de ferro retorcido

Dona Cátia antes

Os dias daquele invero estavam ficando realmente frios, e os tantos anos de Dona Cátia a obrigavam a sair de casa bem agasalhada. Seu antigo guarda-roupas ainda servia para guardar todos seus sapatos, e também para esconder alguns doces que comia escondida da filha, que controlava sua diabete com pulso firme. Naquela manhã o clima pedia o casaco de lã que sua irmã Gertrude, que Deus a tenha, havia feito pouco antes de falecer. Era um casaco de lã pesado, verde-musgo, com botões grandes, cor-de-marfim, com dois bolsos fundos na frente, e o comprimento era pouco maior, o que deixava o casaco na altura pouco acima dos joelhos de Dona Cátia. Os cabelos sempre bem penteados, embaixo de uma touca verde. Com pequenos sapatos por cima das suas meias de lã. Estava pronta para sair, e já estava em cima da hora. Fechou bem a casa, acariciou seu pequeno cachorro vira-latas e saiu em passos de pequenas pernas apressadas.

Caminhar naquela manhã gelada não era nem um pouco prazeroso, porém Cátia o fazia com um sorriso no rosto enquanto cantarolava algo baixinho. Dava alguns “ois” aos vizinhos e caminhava sentindo o vento frio bater no rosto, mas pelo que já havia passado na vida caminhar no frio era algo que merecia um sorriso e uma canção, por isso foi assim até a parada de ônibus.

Thursday, May 15, 2008

Sepultamento de ferro retorcido

Introduçãozinha chata


Então, desisti de escrever "saída de emergência" por que estou sem idéias e se penso em alguma coisa é só nesse novo conto que penso.
"Sepulttamento de ferro retorcido" é um conto de vários pequenos pedaços, "mas como assim Bruno? você é estúpido?", calma gente. Preciso apresentar os personagens, e é com eles que vou escrevendo a estória. Por isso leiam sempre os "antes", depois leiam o "durante" e por último leiam o "fim" O.K.? isso vai ajudar a cabecinha de vocês a entenderem =P

ps. se possível vou postar uma parte por dia, mas ja que ninguém entra no blog todo dia não estou tão rigoroso comigo mesmo XD

Sepultamento de ferro retorcido

Felipe antes

“Droga, maldito celular. Para que serve se nem me acordar consegue?”. O jovem rapaz descia correndo as estreitas escadas do prédio onde morava. “Se eu perder o ônibus ...”, pela décima vez nos útlimos três minutos olhou o relógio de pulso “ não acredito”, e continuou correndo, ainda mais rápido.

Os dias daquele inverno estavam cada vez mais frios, e àquela hora da manhã o vento cortava as bochecas avermelhadas. As ruas pareciam mais mortas por causa das árvores, e as pessoas tinham a mania de andar mais de carro. Não se sabe por que, mas naquela manhã o celular não havia despertado, Felipe havia acordado vinte e dois minutos atrasado e agora corria arrumando o cachecól em volta do pescoço. Na rua reta que se seguia ele via a rua principal, e rezava para não ver a lateral azul do ônibus que pegava, porém acabou vendo, pouco antes de dobrar a rua para chegar à parada. “Grande Felipe, o que você faz agora sua besta?”:

- Com licença, senhora – Felipe estava atrás de uma senhora já de idade, ela usava um pesado casaco de lã verde-musgo e alguns dos seus cabelos bem brancos escapavam da touca verde que usava.

- Pois não meu jovem? – ela o olhava de baixo.

- A senhora sabe algum ônibus que me leve até o centro? Eu deveria ter pego o linha dois-centro que acabou de passar.

- Em pouco tempo vai vir o meu, ele te deixa no centro, só que entra em um bairro antes.

- E sera que vale a pena pegá-lo?

- Outro direto até o centro vai demorar um pouco ...

- Ahn ... então esta bom, obrigado.

Tuesday, April 01, 2008

Saída de emergência

Cáp. 01 - de olhos fechados.

O caminho que se fazia até meu quarto era simples: se entrava pelos fundos, passava por um corredor largo, que era a lavanderia, dez ou doze passos para passar pela cozinha, que minha mãe fazia questão de deixar sempre impecável, a esquerda estava a escada, e embaixo dela o armário com meus brinquedos velhos. Subindo a escada a terceira e última porta do corredor, logo depois dos quartos dos meus pais, e um pouco depois do banheiro. Na minha casa havia uma saída que meu pai chamava de “saída de emergência”, era uma pequena (tão pequena que somente eu passava por ela) portinhola que ficava embaixo da poltrona verde da sala, no assoalho, e dava para o verdadeiro chão da minha casa, entre eles um pequeno espaço, onde eu poderia ficar deitado, ou, até algum tempo atrás, acocado. Eu nunca havia usado aquele lugar mais de duas ou três vezes, até que comecei a usar mais e mais, quando minha mãe mandava eu ia, e ela sempre deixava uma pequena cesta cheia de pão doce, balas, duas latas de refrigerantes, um cobertor no inverno, e um travisseiro. O que eu achava só um pouco estranho é que, no dia seguinte, minha mãe sempre tinha hematomas no corpo, machucados no rosto, e guarda até hoje uma cicatriz enorme na testa ... e é por causa desta cicatriz que, quando eu começei a entender as coisas, eu tive de tomar uma decisão que, para mim, foi bem fácil.

Meu pai era um cara ocupado, vivia viajando, e ficava em casa uns dez dias por mês. Ele tinha um cavanhaque ruivo e expesso, a respiração dele era mais doce do que a da minha mãe, e eu adorava dormir no ombro dele, adorava matar a saudade quando ele estava conosco, e ele também adorava matar a saudade comigo, tanto que nos dias que ele estava em casa eu não ia nem à escola, orden dele. Eu acordava cedo, o acordava com o café pronto, depois saíamos para fazer as compras do almoço, voltávamos para brincar e jogar video-game. À tarde dormíamos depois do meio-dia, brincávamos durante toda a tarde e eram os únicos dias que eu só dormia depois das dez. Meu pai era meu herói, meu pai era o pilar da minha vida ... meu pai era tudo, e agora não é mais nada.


Friday, March 07, 2008

Introdução de Maria de papel

Bom, eu escrevi esse conto com base apenas em uma pessoa que fica loucamente apaixonada (no sentido literário da questão) por um personagem. E a primeira coisa que pensei foi o título, pois o achei muito interessante ... enfim ...

eu recomendo que vocês leiam de baixo para cima, ou seja: primeiro leiam "algumas horas antes do suicídio", depois leiam "alguns dias antes do suicídio", depois "algumas semanas antes do suicídio" e depois leiam "o suicídio" ... se vocês lêrem na ordem certa algumas coisas vão ficar confusas, por mais que eu tenha tentado criar um texto que, independente da ordem, ele faça o mesmo sentido ... mas mesmo assim, sigam meu conselho ... enfim : boa leitura e me desculpem pelos erros de português, ou me desculpem pela minha preguiça de corrigir o texto ...

Maria de papel

O suicídio

Eu estava apenas fumando la em cima, tinha apenas saído para tragar um cigarro, olhar a cidade e logo depois iría voltar para meu canto, assistir algum filme que estivesse passando e iria dormir em paz, descançar para outro dia de trabalho. Mas aquela noite foi diferente. Inclusive, a noite mais diferente de toda a minha vida.

O esqueiro recém tinha feito seu trabalho, eu não havia nem posto o cigarro na boca, quando a porta atrás de mim bateu com força, generosidade do artista, do palhaço de toda a história. Ele usava uma calça jeans suja, desgasta nos calcanhares, uma camisa que deveria ser seu pijama. Seus olhos nunca estiveram tão fundos ... acho que os olhos de nenhum ser humano estivera tão fundos. Ele bufava, e se assustou ao me ver ali:

- Quem é você? – ele estava parado, sem mecher um único músculo.

- Sou seu vizinho – dei uma tragada no cigarro, me virei e extendi a mão – moro no 502.

Ele olhou minha mão, limpou a sua na camisa e deu um aperto amigável, de uma maneira que deixou bem claro seu desespero:

- O que houve? – para mim aquilo era uma pergunta retória.

- Perdi quem amava – ele me seguiu até o para-peito e se debruçou.

- Como?

- Ela morreu.

- Meus pêsames ...

- Não não, mas isso não é o fim – seus olhos examinavam o quão alto era ver a rua do décimo terceiro andar.

- Também penso assim ... por mais que alguma pessoa amada se vá sempre fica no coração, na memória.

- Sim sim, tivemos muitos momentos felizes juntos – ele ficava na ponta dos pés para enxergar melhor a rua, e depois voltava ao normal, para logo depois ficar na ponta dos pés novamente.

- E ... me desculpe a indelicadeza ... o que aconteçeu com sua namorada.

- Na verdade éramos casados ... e me lembro do nosso casamento.

- A sim! O.K. me desculpe – nunca havia visto alguém tão perturbado, alguém tão fora de si.

- Quanto tempo deve levar para chegar la embaixo?

- Não muito, acho que dez, ou quinze segundos.

- Sera verdade que morremos por causa da falta de ar antes de atingirmos o chão?

- Não sei - dei outra tragada, e previ o final da noite.

- Você já ficou sem chão na vida? Você já sentiu como se nada mais fizesse sentido?

- Algumas vezes ... principalmente quando perdemos alguém muito importante.

- Tenho vontade de estar com ela.

- A vida é assim rapaz, você ainda é jóvem. Precisa se acostumar com a idéia de perder alguém.

- Não preciso não, existem outros meios. – o artista ficou de pé no para-peito do prédio.

- Você tem certeza que é isso que quer?

- Não ... mas preciso de uma outra forma de ver Maria. Se não morrer aqui vou morrer logo em seguida de solidão. – Dentro de minha mente minha boca gargalhava, e começava a ficar com vontade de ver um corpo la em baixo.

Ele começou a caminhar, mostrando uma enorme habilidade em equilíbrio. E deixando cada vez mais claro para mim que ele iria pula, que aquilo não era cena:

- Sabe, a noite é longa, mas se você quiser alcança-la você precisa ir logo. – eu sabia que iria acontecer, mas vale um esforço para ajudar a ser mais rápido.

- Você tem razão. Ela pode estar em perigos sem mim ... pode estar sendo observada ou paquerada por estranhos ... afinal sua beleza era invejável.

- Mande um abraço para ela por mim. – dei um sorriso e apertei os olhos.

Quando abri os olhos vi a camisa dançando no ar, os cabelos iam na direção contrária do vento, e já não havia volta. Sua cara tinha um ar de susto, e logo depois um grande sorriso se estampou no seu rosto, seguido de duas lágrimas de felicidade, por estar indo ao encontro de sua amada ... era o final feliz que todas as pessoas sonhavam em ter, era um salto para algo muito maior e mais alto do que uma queda de mais ou menos trinta e nove metros ... para ele seria como estar sempre com Maria, porém agora não iria mais precisar de seringas, e com mais uma vantagem: aquele sonho não iria mais acabar.

“boom! bye bye artista”

Maria de papel

Algumas semanas antes do suicídio

As aulas da faculdade começavam a se tornar cada vez mais entediantes, e Diego sabia que não era aquilo que queria da vida. Contar não era para ele, somar e diminuir não fazia parte de seu mundo. Ele havia nascido para fazer arte, mas ninguém entendia.

A algumas semanas atrás ele entrou no apartamento e na entrada havia um envelope de papel pardo, sem remetente e destinado a ele mesmo. Não sabia que aquilo iria destruí-lo, e então abriu ... e a partir dali sua vida seria uma bomba relógio, com ponteiros bem apressados, e então “boom ! bye bye artista”.

Sua vida era um saco, ele sabia disso, eu sabia disso, e acho que até sua família sabia disso. Ele fazia o que não gostava, cumpria horários que não gostava, comia o que não gostava e estava longe de quem gostava.

Ele chegava sempre as onze e meia da noite, desligava a luz da sala a meia-noite, quando terminava de jantar e ia tomar banho, depois ficava até meia-noite e meia estudando, raros dias que estudava mais, e raros dias que estudava menos. As vezes assistia algum filme pornô, se masturbava e ia dormir, as vezes ia dormir sem nem ligar a televisão, e aos fins de semana estudava até tarde, a base de remédios e cafeína. E assim foi sua vida durante dois anos inteiros ... ele foi muito forte para não ter jogado a toalha antes ... foi mesmo.

Enfim conheçeu Maria, e eu não sabia que algumas poucas palavras e rabiscos poderiam mudar tanto uma pessoa. Uma pessoa desesperada. E ele acabou vendo sua nova vida, sua Maria ... e sabia que Maria era só sua, e foi a única coisa na vida que foi apenas dele. Os horários passaram a ser confusos e sem exatidão, suas aulas passaram a ser cada vez mais raras e seus cadernos eram nada mais além folhas com rabiscos e poemas para sua amada. Enfim sua vida tinha graça. Enfim a rotina era coisa do passado, e foi assim que ele quis ... foi assim que ele decidiu que seria. Ninguém pode dizer que ele não tinha razão, ou que o que fez foi burrice. Foi apenas uma libertação para sua própria mente, finalmente ele fazia o que queria, quando bem entendesse. Não é isso que todos nós queremos?

Maria de papel

Alguns dias antes do suicídio

Diego andava na rua de cabeça baixa, seus cabelos sem corte caiam no rosto, escondendo suas olheiras e seus olhos intricados. Tinha as mãos no bolso, e em um deles segurava um pequeno pacote de plástico com heroína. Sabia que Maria o estaria esperando quando chegasse em casa, e então começou a correr.

Malditas chaves, eram tantas. Diego abriu a porta, e, nos seus pés, um envelope de papel pardo endereçado a ele, junto de algumas outras correspondências, que foram deixadas ali, no chão. Ele queria apenas abrir o envelope e ler Maria, sentir Maria, cheirar Maria. O envelope foi atirado no chão, junto com os outros, enquanto Diego lia seu vício diário, se preparando para ir ao próximo.

Maria estivera linda, como de costume. Linda em tudo, provando mais uma vez ser perfeita. À Diego restava se sustentar com doses diárias de sua amada, escritas ou desenhadas em algumas folhas A4, e depois passava resto do tempo em algum lugar que nem ele sabia onde ficava, mas sabia que Maria estava la, e isso já bastava. Então esquentava a colher, pegava o líquido com uma seringa e depois era só a realidade que ele gostava de viver, se livrando de suas contas atrasadas, de seus estudos obrigados, de sua falência como ser-humano e de seu apartamento que foi quase todo barganhado por mais alguns momentos junto de sua Maria.

Maria de papel

Alguns horas antes do suicídio

E tic, e tac, e tic, e tac ... as horas ião passando tão lentas sem Maria ...

E tac, e tic, e tac, e tic ... aquela agonia, a que horas ela chegaria? ...

A campainha estaria estragada? O porteiro havia saído? Mas por que agora?

No chão do pequeno apartamento, envelopes por cima de envelopes de papel pardo abertos. O que era um sofá havia se tornado uma cama, que fora vendia para manter os sonhos com Maria. As paredes todas pintadas, obra de um artista fabuloso, agora jogado no mais fundo dos poços. Algumas gravuras, alguns adesivos, o azul antigo da tinta dava lugar a pixações, desenhos feitos de grafite ou carvão.

Na geladeira o leite estava azedo, as frutas estragadas e as validades quase todas vencidas. Nos armários alguns pacotes de suco em pó, ainda alguns quilos de açucar e o resto todo de teias de aranha. Na pia algumas louças quebradas, e algumas raras inteiras. Mas o que podia ser mais importante que Maria? Nada ... nada além de Maria, e Maria e mais Maria.

No pequeno banheiro estava o artista, encolhido por entre o vaso sanitário e o box do chuveiro. A cabeça pendia para trás, com os olhos meio-abertos, como se sonhasse acordado. E sonhava. Uma seringa caiu no chão, e a borracha desprendia do braço.

A campainha tocou diversas vezes, mas o artista não podia escutar, e nem gostaria, já que agora estava com Maria ... Maria, doce Maria, Maria horas feita de papel, mas agora estava ali ... na sua frente, usando aquela sua calça jeans e seu blusão de lã azul por cima de uma camiseta branca. Ela tinha sua mão extendida, como se para amparo, e sempre estivera, sempre preocupada com o artista, sempre cuidando de seu sono, sempre zelando pela sua vida.

Monday, December 17, 2007

Minhas sinceras desculpas ...

Meus queridos leitores do meu blog .... me desculpem.

Gpstaria de me desculpar por ter ficado tanto tempo sem postar, mas tbm, quem liga? ninguem lê isso daqui mesmo XD


mas enfim....estou fazendo uma história agora e pretendo postar algo novo por aqui ... por isso, fiquem de olhos bem abertos.


me desculpem novamente